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No dia 30 de junho, Cascais foi palco da 2ª edição nacional da B+Summit, um evento organizado pela Associação de Bioenergia Avançada (ABA), em parceria com a CNN Portugal. A iniciativa reuniu alguns dos principais decisores políticos, especialistas, empresas e representantes da indústria para debater o futuro da bioenergia avançada em Portugal e na Europa.
Entre os principais oradores estiveram Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Energia, Jean Barroca, Secretário de Estado Adjunto e da Energia, Manuel Castro Almeida, Ministro da Economia e Coesão Territorial, e António Costa Silva, ex-Ministro da Economia e do Mar. A estes juntaram-se também especialistas internacionais de referência, entre os quais Mark Hartney, Partner da Breakthrough Energy Ventures, Simone Burgin, Editora da Argus Media, Dáša Mamrillová, Diretora de Assuntos Governamentais da European Waste-based & Advanced Biofuels Association (EWABA), Harmen Dekker, CEO da European Biogas Association, e Gabrielle Gauthey, Secretária-Geral da GD4S – Gas Distributors for Sustainability, entre outros.
Ao longo do dia, ficou evidente que a transição energética entrou numa nova fase. A urgência de acelerar a adoção de soluções mais verdes, como os biocombustíveis líquidos e gasosos, ganha, cada vez mais, uma dimensão que não é apenas ambiental, mas também económica. Como garantir a segurança e resiliência energética em períodos de escassez e crescente volatilidade? Como manter a competitividade da indústria europeia e, principalmente, da indústria portuguesa? Como acelerar a descarbonização sem comprometer, simultaneamente, o crescimento económico?
Fique a conhecer, neste artigo, três das grandes conclusões da conferência:
Se antes a transição energética era, sobretudo, discutida à luz dos objetivos climáticos, o contexto internacional veio acrescentar uma nova dimensão ao debate. A guerra na Ucrânia, a instabilidade no Médio Oriente, as perturbações nas cadeias de abastecimento e a crescente competição geopolítica demonstraram que a energia é hoje, mais do que um recurso, um fator determinante de estabilidade económica.
Ao longo da conferência, vários foram os intervenientes que destacaram que a segurança energética faz parte das decisões económicas, industriais e políticas da atualidade. Devemos, por isso, reforçar a produção nacional não apenas como resposta às metas climáticas, mas também como forma de reduzir a dependência externa e proteger a competitividade do país.
Outra das grandes conclusões em debate na B+Summit foi a de que a descarbonização não se fará através de uma única tecnologia.
Embora a eletrificação continue a desempenhar um papel central, existem setores onde esta ainda não é uma solução equilibrada do ponto de vista económico e ambiental. O transporte pesado, a aviação, o transporte marítimo e a indústria intensiva em energia continuam a depender de soluções complementares, como o biometano e outros biocombustíveis avançados, para reduzir as suas emissões e responder às necessidades específicas de cada atividade.
Mais do que colocar diferentes tecnologias em competição, importa promover um sistema energético baseado na neutralidade tecnológica e na complementaridade entre diferentes vetores energéticos. Um mix diversificado e resiliente, capaz de responder às necessidades dos diferentes setores da economia. Esta visão foi transversal a todos os participantes, desde representantes do Governo, da indústria, da academia e de organizações europeias.
Ao longo das diferentes sessões, foram vários os intervenientes que alertaram para a necessidade de garantir maior previsibilidade e estabilidade regulatória, concluir a transposição da RED III para o enquadramento nacional e criar condições estáveis para atrair investimento.
Portugal dispõe de recursos naturais, conhecimento técnico, capacidade industrial e projetos inovadores que o colocam numa posição privilegiada para liderar a bioenergia avançada na Europa. No entanto, transformar essa vantagem competitiva em crescimento efetivo dependerá da capacidade de reduzir barreiras administrativas e criar um enquadramento regulatório que acompanhe o ritmo da inovação.
A B+ Summit 2026 consolidou-se, mais uma vez, como um dos principais fóruns nacionais e internacionais de reflexão sobre o futuro da transição energética, ao reunir diferentes perspetivas em torno de um objetivo comum: construir um sistema energético mais resiliente e sustentável. É neste debate plural e informado que a ABA continua a consolidar o seu compromisso com a promoção da bioenergia avançada e com a construção de um futuro energético mais verde e sustentável.
O evento deste ano contou com o patrocínio da Galp e da Prio (main sponsors) bem como Bioport e Mota-Engil Ambiente e Energia (sponsors). A Câmara Municipal de Cascais associou-se à iniciativa como parceiro institucional, que contou também com o apoio da Marina Lounge Cascais.
Veja as talks e debates do evento aqui.
Fotografia: Rodrigo Cabrita/CNN Portugal