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As intempéries que assolaram Portugal no início do ano deixaram marcas visíveis - algumas ainda por resolver. Casas isoladas, empresas paradas, regiões sem eletricidade ou água durante dias e até semanas. Para além dos prejuízos económicos estimados em milhares de milhões de euros, serviu como um alerta claro para a nossa vulnerabilidade estrutural.
Num contexto em que os eventos climáticos são cada vez mais severos e frequentes, importa refletir: estaremos nós preparados para garantir continuidade e autossuficiência energética em cenários de crise?
1️⃣ Eficiência não é apenas consumir menos, mas também garantir continuidade
O Dia Mundial da Eficiência Energética, celebrado na semana passada (05 de março), convida-nos, por tradição, a refletir sobre a redução do consumo energético e a importância de uma utilização mais inteligente dos recursos disponíveis. Porém, eficiência também significa robustez. Significa ter sistemas capazes de responder a falhas sem comprometer a atividade económica e o bem-estar das populações.
Apesar de a eletrificação ser um pilar essencial da transição energética, depender exclusivamente de uma única fonte ou de uma única infraestrutura expõe-nos a riscos acrescidos. Uma rede instável ou interrompida pode significar, à semelhança do que vimos nestas últimas semanas, uma paralisação generalizada.
É aqui que a diversidade energética ganha relevância estratégica.
2️⃣ Um mix mais diverso contribui para um país mais resiliente
Reforçar a eletrificação com soluções complementares de baixo carbono é uma forma de garantir maior segurança e autonomia da rede. A bioenergia avançada é um exemplo dessa complementaridade.
Produzida a partir de resíduos orgânicos, industriais, alimentares e outros subprodutos, esta solução permite reduzir até 90% das emissões de gases com efeito de estufa, assegurando, simultaneamente, elevados níveis de eficiência operacional. Os biocombustíveis avançados, líquidos e gasosos, representam, por isso, um pilar fundamental para descarbonizar setores de difícil eletrificação (como é o caso do transporte de pesados, da aviação e do setor marítimo).
Para além da redução de emissões, a bioenergia avançada transforma resíduos que, de outra forma seriam passivos ambientais, em ativos estratégicos. Contribui para reduzir custos, aumentar a autonomia operacional e reforçar a competitividade industrial.
O impacto da bioenergia avançada vai muito além da produção de energia. Esta solução representa uma oportunidade para as pequenas comunidades avançarem rumo a um futuro mais sustentável, enquanto combatem o desperdício e promovem a economia circular.
3️⃣Sustentabilidade e Eficiência a longo prazo
Resiliência, eficiência e segurança não são conceitos isolados. São pilares interligados para uma economia moderna e competitiva. Num cenário climático cada vez mais desafiante, não basta reagir a crises. É necessário diversificar e integrar soluções que garantam a continuidade energética mesmo em contextos adversos.
Portanto, que esta possa ser também uma altura para refletirmos sobre estratégia e sustentabilidade a longo prazo. Um mix energético mais diverso, que combine várias soluções complementares de baixo carbono como a bioenergia avançada, é essencial para assegurar que Portugal continua a produzir, a crescer e a descarbonizar, mesmo quando enfrenta desafios inesperados.