1/2/2023

Um Ano Novo de novas possibilidades

O último ano foi marcado por um crescimento no mercado dos biocombustíveis e uma evolução positiva em diferentes níveis. A bioenergia está a ganhar destaque no caminho da transição energética, acelerando a descarbonização da mobilidade, o setor com maior peso nas emissões de CO2 atualmente.

Para a ABA, este foi também um ano de crescimento e aprofundamento da relação com os principais players do setor, contando hoje com 15 empresas associadas que desenvolvem um importante trabalho na recolha e gestão de resíduos, no seu tratamento e na produção de bioenergia avançada.

A aproximação a mais operadores potencia o apoio à produção, enquanto o trabalho contínuo de informar e esclarecer tanto o poder decisor como o consumidor abre novas oportunidades de evolução no setor.

 

Biocombustíveis em crescimento

O primeiro semestre de 2022 revela um cenário positivo para os biocombustíveis em Portugal, como mostra o relatório da ABA para o mercado nacional. Se os anos de pandemia registaram um decréscimo na produção, este ano projeta-se um crescimento de 9% face a 2021: um cenário de crescimento em linha com as metas definidas pela UE, no sentido de continuar a promover a descarbonização da mobilidade e redução de emissões poluentes.

“Mais do que converter o aparelho produtivo, conseguimos trazer novos aparelhos, novas fábricas, novas tecnologias e, portanto, mais crescimento. Há ainda muito petróleo para retirar do sistema, e para isso precisaremos de muito investimento e muitas novas fábricas”, revela Emanuel Proença, Presidente da ABA.

A capacidade de produção de biocombustíveis em Portugal está a ser explorada em cerca de 40%, o que abre várias oportunidades para um crescimento no setor para consumo nacional - e, eventualmente, até mesmo participar na exportação deste produto.

É necessário aproximar, cada vez mais, operadores em toda a cadeia de valor dos biocombustíveis. Pelo potencial que representam não só na descarbonização da mobilidade, mas também na recuperação de resíduos e preservação do meio ambiente, os biocombustíveis merecem a nossa atenção e devemos prestar apoio a todos os envolvidos, sejam eles de pequena, média ou grande dimensão.

Por este motivo, Emanuel Proença acredita que “o número de associados irá continuar a crescer. Continuamos a ser uma associação pluralista, com vontade de acolher outros pontos de vista que sejam complementares e bem fundamentados, e que estejam cá sempre para construir mais e melhor neste setor”.

 

O papel da RED II

Com a definição de metas para a descarbonização na UE é fundamental que cada país adote medidas concretas para acelerar esta transição energética. A REDII é a segunda diretiva para energias renováveis, nível Europeu e que estabelece metas relativas ao consumo de energia proveniente de fontes renováveis até 2030 e visa precisamente orientar o processo de transição energética nos transportes orientando os diferentes Estados Membros como alcançar a neutralidade carbónica em 2050. De acordo com as suas oportunidades e atendendo à especificidade em cada Estado Membro, a diretiva deve ser transposta segundo as medidas mais eficazes nos diferentes países para alcançar os objetivos definidos.

Entre outras medidas, a transposição da REDII, em Portugal, define para o próximo ano uma meta mínima de 11,5% de energia renovável nos transportes, onde 0,7% corresponde a uma quota mínima de incorporação de biocombustíveis avançados. Estes valores confirmam a contínua aposta em bioenergia avançada como solução para descarbonização dos transportes.

A transposição da diretiva será decisiva na transição energética em Portugal, acompanhando o processo a nível europeu e contribuindo para posicionar o país num caminho de destaque rumo à valorização da bioenergia avançada.

 

A resposta está no mix energético

Mais que uma solução única, é importante compreender como a descarbonização da mobilidade só é possível, de forma eficaz, imediata e acessível, se multiplicarmos e conjugarmos todas as fontes de energia verde. As fontes alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis devem crescer, enquanto se reforça a sua disponibilização mais democrática ao consumidor.

Para Ana Calhôa, “o aumento da disponibilização de diferentes fontes de energias renováveis é essencial para promover a escolha e, sobretudo, o consumo em alternativa a fontes fósseis e poluentes. Só vamos conseguir alcançar esta neutralidade carbónica se atendermos às características de cada país e de cada mercado, adaptando mas fomentando a mudança, integrando um mix das fontes mais sustentáveis em cada realidade”.

O mix energético deve contemplar soluções sustentáveis e que contribuam, em conjunto, para retirar de forma crescente a quantidade de combustíveis fósseis que utilizamos. Os biocombustíveis são uma das fontes alternativas a destacar nesta transição, promovendo não só a redução de emissões poluentes como a valorização dos resíduos numa economia circular.